O espólio privado de José de Sainz-Trueva (JST) não possui propriamente um conjunto de documentos que permitam ao leitor conhecer a vida e obra do seu detentor, tal como acontece com alguns espólios pessoais em que os detentores são também os produtores da documentação. Este acervo reflete, antes de mais, os interesses de Sainz-Trueva por matérias e assuntos de história da Madeira, genealogia, heráldica e ex-librismo, literatura e poesia ou mesmo turismo. Ele é, sobretudo, um colecionador de fontes que atestam, por exemplo, a história de pessoas que, devido à sua produção intelectual ou às suas origens familiares, se tornaram conhecidas, ou de instituições, estabelecimentos industriais ou comerciais de referência no meio regional. Estes documentos de coleção constituem 78,9% do espólio, sendo que 21,1% está afeto a documentos pessoais, familiares e patrimoniais de JST. Estes cálculos foram feitos tendo como base a tabela de sistematização de séries do fundo que é, no entanto, provisória.
Mas recuemos ao tempo em que se deu início ao projeto. Entre 2007 e 2009, período decorrente das diversas fases de transferência do acervo doado por JST ao Arquivo Regional da Madeira (ARM), foram feitas listas de todos os documentos que deram entrada. Essa etapa foi importante na medida em que permitiu identificar e separar o material arquivístico do material bibliográfico (visto que este último, livros e publicações, integrará o serviço de Biblioteconomia do ARM), bem como possibilitou o acondicionamento provisório da documentação em caixas, a sua cotagem, e a criação de um quadro mental do conteúdo global. A fase seguinte foi a descrição documental feita em paralelo com a tabela de sistematização de séries, concluída em 2011.
Até ao momento estão registados no CALM todos os documentos do fundo. Uma vez aprovada a tabela de sistematização de séries passar-se-á à classificação do acervo, tendo como objetivo final a elaboração de um inventário, um instrumento descritivo que oriente o leitor na pesquisa dos documentos. É, no entanto, possível já identificar a percentagem de documentos afetos a determinados temas, como se pode observar no gráfico seguinte:
Como podemos constatar, a maior fatia respeitante aos documentos de coleção está afeta à seção de história da Madeira (39,4%), seguindo-se as seções de literatura e poesia (12,4%), iconografia (11,8%), genealogia, heráldica e ex-librismo (7,6%), monarquia e família real (3%), documentos diversos (2,7%) e turismo (2%).
Prevê-se que em Julho deste ano o projeto esteja concluído, de forma a que os leitores possam ter acesso ao valioso e diversificado espólio de JST, que abrange o período compreendido entre o séc. XVI e o séc. XXI, de onde se destacam séries como correspondência recebida, documentos patrimoniais de famílias madeirenses, fotografias, postais, desenhos, ou documentos relativos a símbolos heráldicos da Madeira, à família Hinton, à Fábrica do Torreão, ao poeta Herberto Hélder, a assuntos militares, poemas manuscritos, textos literários originais, guiões de peças de teatro, partituras musicais, entre outros.
Paula Gonçalves,
Março de 2012